31 de dezembro de 2011

II (Info)


II
Acrílico S/Tela 30x40 cm

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Águas Subterrâneas

Espalhadas foram as tintas sobre a tela. Os pincéis giram em movimentos descendentes. Rios celestes infiltram-se por entre interstícios rochosos correndo sinuosamente em grutas perdidas e galerias recônditas onde o medo se esconde. As mais frias águas subterrâneas vêem à superfície. Viajo entre azuis e verdes misteriosos. Espeleólogo cego tacteando na mais dolorosa escuridão, agarro-me como um náufrago à luz branca da lua. Vagueio no arco do violino ao fazer vibrar as cordas da mente. Naves fantasmas regressam ao porto solitário, e tenho frio e sede e medo. E o coração ribomba como um tambor. E as entranhas explodem num parto difícil até ao centro da paz.
João Alexandre

O Sonho

"Sinto que ora salto
Meu foguete some
Queimando espaço
Tudo vejo e abraço
A vaidade
Estou morando em pleno céu
Namorando o azul
Ando no espaço rouco
Meu foguete some
Deixando traços
Entre estrelas vejo
A liberdade
Fotografo todo céu
E revelo paz
Busco cores e imagens
Faltam pássaros e flores
Coração na mão
Corpo solto estou
Entre estrelas
Vou deitar neste luar
Indo de encontro ao riso
Do quarto minguante
E o sol queimando
A pele branca
Despertando, vejo a cama e meu amor
Acordado estou
Choro, choro, choro..." e rio.

Egberto Gismonti (O Sonho)

Acerca de mim

A minha foto
Licenciado em Sociologia, vivo em Belmonte há cinquenta anos.

As Cidades Invisíveis

" (...) do número das cidades imagináveis temos de excluir aquelas cujos elementos se somam sem fio condutor que os ligue, sem uma regra interna, uma perspectiva, um discurso. São cidades como sonhos: todo o imaginável pode ser sonhado mas também o sonho mais inesperado é um enigma que oculta um desejo, ou o seu contrário, um terror. As cidades como os sonhos são construídas de desejos e de medos, embora o fio do seu discurso seja secreto, as suas regras absurdas, as perspectivas enganosas, e todas as coisas escondam outra."

(Italo Calvino, As Cidades Invisíveis, 1972)